Já se foi o tempo em que os artesãos do Alto do Moura, bairro distante 7km do centro de Caruaru, confeccionavam apenas os tradicionais bonecos de boi e panelas de barro. A inovação, que veio através do tempo, ganhou novas formas e cores nas mãos daquelas que deixaram de ser meras coadjuvantes e decidiram dar o “toque de Midas” que faltava na produção: as mulheres.
A técnica deixada pelo Mestre Vitalino, artesão que deu início a retratação da figura do homem nordestino a partir de esculturas feitas na argila crua (sem pintura), foi ganhando novas características, a partir da participação efetiva das artesãs que, de tanto observar os homens da família fazer o trabalho, decidiram colocar a mão na massa, ou melhor, no barro.
Filha de um famoso bonequeiro da região (Zé Caboclo, já falecido), a artesã Marliete Rodrigues, por exemplo, há mais de 45 anos se dedica ao fazer artesanal. Através de suas mãos ágeis, a caruaruense molda no barro microesculturas que chegam a ter apenas uma polegada (2,5 cm). “Eu via as peças que meus pais e irmãos faziam e comecei, despretensiosamente, a produzir brinquedinhos de barro. Depois me identifiquei com a arte e passei a confeccionar miniaturas com 10 centímetros. Anos depois, decidi assumi o meu estilo minúsculo e acredito que deu certo”, disse ela.
Em vários pontos do Maior Centro de Artes Figurativas das Américas é possível perceber a influência da delicadeza artística das artesãs em peças cada vez mais trabalhadas. Em meio às bonecas, figuras que já conquistaram o gosto dos turistas, está Damiana Paes dos Santos, mais conhecida por “Aninha das bonecas”, que através da pintura, consegue descrever o amor que tem pela arte.
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