quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Mestre Lula Vassoureiro o pai dos Papangus Bezerrenses

Com seu trabalho reconhecido em todo Brasil, Europa, Ásia, Estados Unidos, México e Canadá, o Mestre Artesão Lula Vassoureiro congrega mais de 50 títulos, entregues inclusive pelo Ministério da Cultura e pela Presidência da República. Deu continuidade a arte de brincar masca-rado o carnaval, um legado deixado pelo avô que transmite para novas gerações.

Amaro Arnaldo do Nascimento ou Mestre Lula Vassoureiro, nasceu em 1944 na antiga rua da vassourinha, na cidade de Bezerros, o apelido de vassoureiro foi herdado da projeção de seus avós que eram artesãos da palha, faziam cestos, balaios e vassouras. Iniciou suas atividades artísticas com 6 anos, o pai dos Papangus Bezerrense, confecciona alegorias diversas, mascaras de Papangus, bois, bonecos gigantes e acessórios carnavalescos, suas peças podem ser visitadas no espaço Casa da Cultura Popular Lula Vassoureiro.

ENTREVISTA

PORTAL DO INTERIOR - Gostaríamos que falasse primeiramente um pouco da sua história como foi que o senhor chegou até essa profissão?

Lula Vassoureiro -  Várias entrevistas que apareceram em televisão, rádio e jornais, a palavra é uma só, o que me trouxe ao artesanato, a ser artesão, foi falta de estudo.
Não tenho vergonha de dizer que não sei nem ler e nem escrever, nunca fui numa escola a não ser depois que veio a fama, então, já visitei 6 países por causa desse trabalho, quando eu tinha 6 anos eu pedia pra ir pra escola e meu pai dizia que não me botava e foi passando, se passando, quando adoeceu, Deus  o chamou e como eu já tinha um dom e muita criatividade fazendo maquete e outras coisas, então antes de Deus o chamar, ele sempre me dava dois conselhos:
Ele pediu que eu não deixasse de ser artesão pra que a cultura não morresse e preservasse o bacalhau que ele fez com uma intenção muito boa para quem trabalhou no carnaval: Os garis, os policiais, no geral aqueles que não brincavam.

PORTAL DO INTERIOR -Seu Lula, como o senhor chegou até esse modelo de máscara, sua arte, que não tem nada igual?

Os clientes, começaram me incentivando por que você só faz desse jeito? E eu sempre respondendo: Não, só faço desse jeito porque só sei desse jeito.
Isso é uma coisa que acaba com o artista, ele não vai pra lugar nenhum é como eu digo: eu to aqui não é porque preciso ta aqui dando entrevista, é o seguinte sou uma pessoa humilde, se você não tiver humildade para estar aqui, você não chega aonde você quer. Se você tivesse chegado aqui de sapato alto, todo cheio de “pra quê isso”, eu não estaria aqui!
Aí fui aprendendo eu tinha uma palavra que hoje eu ás vezes digo em palestras e até me emcabulo, era: “pro via”, “pro mode” e “pro quê”. E “pro quê” é que eu não chamava por quê? Estrutura escolar só? Não! Era conhecimento, que ás vezes as pessoas me chamavam e diziam a palavra certa e eu não queria nem saber, ás vezes respondia até com palavras ignorantes.
Depois fui me credibilizando, parando para ouvir. Eu vejo aí, você chega tem muitos lugares como agora mesmo chegou um pessoal me disse: A gente esteve em Gravatá e viu seu trabalho lá.
Só que não é o meu trabalho, é o trabalho dos meus alunos, mas eles me acompanharam com credibilidade, com conhecimento e com respeito, só que lá tem alguma coisa a mais ou a menos que eu peço pra não ficar igual.

PORTAL DO INTERIOR - O senhor falou que já percorreu vários países, quais foram eles?

Lula Vassoureiro -  Pensilvânia nos Estados Unidos, foi a primeira cidade que eu fui convidado, de lá eu fui para Washington, mas de Washington eu já fui para a Etiópia, o Canadá e a França, e agora era pra eu estar no México mas, por causa desse trabalho de carnaval não fui.

PORTAL DO INTERIOR - Como o senhor se sente hoje com esse reconhecimento internacional, assim como a França que também tem o carnaval de máscaras?

Olhe eu me sinto muito bem até porque trabalho com serviço social, sempre trabalhei com 60 crianças, a maior máscara do mundo que está no livro dos recordes eu não quis fazer só, chamei umas 17 crianças de 11 a 13 anos e fizemos essa peça. É lógico que a menor também está no livro de recordes que é o brinco, eu não ia mandar eles fazerem, eu fiz até porque é coisa pouca. Mas eu me orgulho por isso.

PORTAL DO INTERIOR -  Como acadêmico e representando os artistas da terra como o senhor divide também a sua arte com crianças, e jovens ?

Lula Vassoureiro - Hoje em Bezerros tem mais de 1.300 crianças que aprenderam comigo, ensinei sem interesse em dinheiro. Só porque eu queria, eu era triste, quando o povo me encontrava, porque me via em televisão dizia “rapaz tu é o cara” e eu ficava sempre triste porque se eu morresse naquele momento nem sequer meu filho não sabia fazer nada.
Ainda pouco chegaram dois Alemães um Português, estavam com um catálogo com minha história toda e dizendo que veio ao Brasil conhecer esse mestre porque viu meu trabalho lá em Washington e viu em outros países.

Revista PORTAL DO INTERIOR

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