O trabalho, que será lançado no final deste mês, é dividido em Zona da Mata, Agreste, Sertão, com 42 estabelecimentos, e um quarto capítulo dedicado ao perfil de nove mestres-artesãos, chamado Galeria dos Mestres. O capítulo prestigia o trabalho de Zé Lopes de Glória do Goitá, J. Borges e Lula Vassoureiro de Bezerros, Severino Vitalino, Seu Elias, Marliete Rodrigues, Manuel Eudócio e Luiz Antônio de Caruaru, e Cida Lima de Belo Jardim.
Conheça o trabalho do Mestre LUIZ ANTÔNIO
As mãos são calejadas, o rosto é sério, as palavras são poucas. À primeira vista, seu Luiz Antônio aparenta ser durão, fechado. Mas sem muito esforço, no compasso de uma conversa informal, aos poucos, o artesão “filho do Alto do Moura” – como ele mesmo faz questão de se adjetivar – revela sua sensibilidade, diante do dom que o permite transformar barro em vida.
Mulheres negras trabalhadoras, parteiras, pescadores, sertanejos retirantes da seca e peças representativas das manifestações de fé do povo nordestino, marcas de um trabalho que reproduz, minuciosamente, os traços e a cultura do Nordeste. Com mais de 75 anos, sendo 52 deles dedicados à arte do barro, Luiz Antônio da Silva transformou a brincadeira de infância num ofício que hoje lhe dá o sustento e numa herança que já perdura por gerações. “Tenho 10 filhos, todos eles são artesãos também. Isso é um dom dado por Deus. Quem vive de arte, Deus ajuda e é feliz.”
“Quando eu era menino, via meus pais trabalhando com o barro e comecei a fazer animais. Era uma brincadeira. Mas terminei crescendo, melhorando meu trabalho e me dediquei”, conta seu Luiz, que hoje é considerado um dos mestres da arte do barro, em Pernambuco, e já expôs suas obras no país todo e até no exterior – inclusive em Nagasaki, no Japão. “Sou discípulo de Vitalino. Todo mundo que trabalha com barro e faz esse trabalho é discípulo dele. Mas cada um segue seu estilo. Eu gosto muito de fazer peças representando as profissões, o nordestino trabalhador. E as pessoas gostam muito disso”.
Seu Luiz Antônio é um dos nove mestres artesãos – assim reconhecidos pelo Programa do Artesanato Brasileiro (PAB) – que a Secretaria de Turismo de Pernambuco e a Empresa de Turismo de Pernambuco (Empetur) reúnem na Galeria dos Mestres do Guia Artesanato Rota 232. O Guia será lançado em agosto e cataloga também 42 espaços, entre ateliês, lojas e centros culturais, que permeiam a rodovia.
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