Atração da próxima edição do festival No Ar Coquetel Molotov, que acontece em outubro no Recife, o cantor e compositor paulista Romulo Fróes atingiu notável maturidade musical em seu quarto CD, Um labirinto em cada pé (YB Music). Com esse novo trabalho, o músico conseguiu formatar estilo e marcas próprias - o sonho de todo artista. É o tipo de construção estética que pode permitir a algum jornalista se referir a uma banda nova dizendo que ela tem "influência de Rômulo Fróes em seu som".
Fróes comemora esse feito e diz que conseguiu alcançá-lo depois de muitos experimentos anteriores em torno do samba e de bandas pós-punk dos anos 1980, e da influenciação mútua que tem movido a carreira de artistas da música brasileira deste início de século como Tulipa Ruiz, Marcelo Jeneci, Curumim, Karina Buhr, Tatá Aeroplano, entre outros. Ele encara tal fenômeno como uma espécie de revolução, a qual é reforçada pela dessacralização de respeitados músicos de gerações anteriores a exemplo de Caetano Veloso, Nelson Cavaquinho ou Paulinho da Viola. "Nós os respeitamos e somos influenciados por eles também, mas não rola aquele deslumbramento, aquela coisa de enxergá-los como mitos", explica.
Outros importantes pilares da construção do estilo Romulo Fróes de fazer música encontram-se no trabalho dos músicos que participam do seu disco e que o acompanham nos shows, além dos parceiros de composição poética Nuno Ramos e Clima. "As letras entram no esquema da experimentação. Elas são fortes e têm muita importância no todo e, pra mim, não são nem cabeça nem rasas, elas trabalham para a canção", observa. De fato, a poesia musical de Um labirinto em cada pé foge do confortável, do comum e pode despertar as mais diversas sensações em que toma contato com elas. Quando você começa a refletir sobre o assunto abordado, começa a abandonar essa linha de apreciação e envereda pelo ato de saborear os sons proporcionados pela organização das palavras.
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