Muito mais do que um movimento, o brega no Recife se configura como uma indústria. Do vendedor de CD pirata aos músicos das bandas, passando pelos profissionais dos estúdios até o vendedor de espetinho - que encontra clientela certa em frente às casas de show - esse gênero musical consegue movimentar uma sólida cadeia produtiva e mobilizar uma multidão de fãs, que fazem desse tipo de música, mais do que diversão, um estilo de vida. Essa ótica é apresentada no documentário musical Explosão Brega - dirigido por Hanna Godoy. O filme foi produzido com recursos do 1º Edital do Programa de Fomento ao Audiovisual do Governo de Pernambuco
“É um filme feito para o grande público. Pessoas que não estão acostumadas a irem ao cinema”, conta a cineasta. Nomes conhecidos da cena brega local como: Nêga do Babado, Kelvis Duran, Banda Kitara e Michelle Melo estão entre os personagens do documentário. “O filme não tem pesquisadores e teóricos explicando ou respaldando o movimento, é a relação e reação do público, bem como os artistas que cumprem esse papel”, explica Godoy.
A pesquisa para o desenvolvimento do roteiro ficou a cargo da antropóloga e produtora Márcia Mansur, que traz na bagagem projetos na área de etnomusicologia. Durante o processo de investigação, a diretora passou a vivenciar esse universo para aproximar-se ainda mais do tema. Clube das Pás, 100% Brasil, Lela Clube Show, Clube Bela Vista, Sesi do Vasco, bem como rádios comunitárias, programas de auditório, escritórios das bandas e a residência dos artistas foram os espaços visitados para a composição e realização do roteiro.
Além de recortes do processo de criação no estúdios, os ensaios, o backstage e os shows, o roteiro também contempla clipes de algumas músicas criados especialmente para o filme, além do vídeo da música Deusa dos Meus Sonhos, de Kelvis Duran, uma releitura do antológico clipe Thriller de Michael Jackson. “Por ser um documentário musical, as canções e as bandas estão em primeiro plano. A idéia que as pessoas cantem junto a música e que elas possam ter essa vivência numa sala de cinema. Curiosamente, números musicais e dança são o foco da produção de bollywood”, pondera a diretora, em referência à industria cinematográfica indiana, que supera a americana em público.
Hanna Godoy explica que o filme é o primeiro de uma trilogia sobre a cena brega pernambucana. “Depois de Explosão Brega, vou começar outros dois projetos: um sobre os bregas antigos, e outro sobre o tecno brega, englobando o brega melody. Quero fazer uma trilogia sobre o ritmo em Pernambuco. O projeto se chama Embaixada Brega”, adianta Hanna.
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